DE TUDO UM POUCO 

MLCB©2011/2021-Maria da Luz Fernandes Barata e Carlos Barata 

Portugal 

©do sítio web detudoumpouco ©dos textos, os seus autores ©das imagens, as instituições e os fotógrafos mencionados 

As marcas de água não implicam obrigatóriamente a autoria ou propriedade do elemento apresentado 

SONS... 

   

Era sábado. 

Ainda Primavera. 

Aquela praia... a de S. Rafael, em Albufeira. 

  

Continuo apaixonada por esta praia maravilhosa, de areias finas e águas transparentes. 

É um reduto. 

Encaixada naturalmente nas rochas, proporciona dias de lazer excelentes. As suas águas límpidas, quando calmas, deixam ver o fundo rochoso existente nalgumas zonas e tudo o que por ali vive. 

O ambiente que se respira e se sente é de relativa calmaria. Parece que todos comungam do misticismo nela existente. Ouvem-se sussurros, gritos da criançada jogando com os seus amiguitos, ou simplesmente brincando com as ondas. 

Nos dias em que o mar chama a si toda a atenção, o seu rufar, quase poderia ser o som de um qualquer tambor numa orquestra só de tambores. 

A par dos silêncios, murmúrios e entusiasmo, há as gaivotas, pardalitos e naquele dia, bandos de andorinhas. 

É uma visão maravilhosa, aquela que temos perante nós, quando contemplamos qualquer aspecto da natureza; mas as andorinhas são tudo o que as pessoas deveriam ser: alegres, trabalhadoras, comunicativas e portadoras de espírito gregário. 

Sim, além da beleza natural que apresentam através do seu corpo esguio de asitas esvoaçantes, transmitem a quem esteja atento, um espectáculo de rara beleza. 

É lindo ver o vaivém em bando, sempre chilreando, ora buscando alimento, ora desfrutando apenas do prazer de voar e cantar. 

Fiquei deleitada. 

Já não me recordava, que nesta altura, em anos anteriores, elas estavam lá. Provavelmente as mesmas, com o grupo aumentado pelos filhotes que vão nascendo. 

E ali vivem durante algum tempo, em convívio muito próximo com as gaivotas, apesar das diferenças que as separam. 

Mas o céu é o mesmo. 

Os rochedos onde nidificam também, talvez um pouco mais gastos pela força da erosão. 

O mar que sobrevoam é o mesmo; talvez com novas marés e transportando na sua irrequietude, outras areias, outros seres. 

E assim permaneci em cuidada observação, durante algum tempo. 

Aquela praia, ainda é um paraíso! 

Quase senti que fazia parte daquela natureza, que num dia muito, muito longínquo, explodiu e formou aquele recanto mimoso que me faz sentir bem, quase como se estivesse em casa. 

Porquê?! 

O ambiente é leve, está limpa e arrumada, é calma e tem muita música. 

Às vezes imagino o que seria, naqueles dias em que o mar só sussurra, quem sabe palavras de amor, uma orquestra tocando uma área de Bach, Mozart ou de qualquer ilustre desconhecido à espera da sua primeira oportunidade. 

Se calhar, nunca alguém pensou em tal. Será que passar à prática irá tirar romantismo e deslumbramento?!  

Fico pois, pelo sonho, pelo imaginário. 

Eles alimentam a minha alma, tal como aquelas avezitas alimentam os seus filhotes, com a comidinha que vão encontrando.  

Mas uma coisa é certa. 

A orquestra estava lá, tocou e eu ouvi. 

Tocou divinalmente!  

 

ML/2002