DE TUDO UM POUCO 

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Portugal 

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VERÃO!
23 de Junho!
Era o dia do seu aniversário!
Estava um dia lindo!

Assim, conforme tinha sido combinado alguns dias antes, “zarparam” rumo ao ZOO MARINE, para aí passarem o dia. As entradas foram oferecidas por uns amigos. Claro que depois do regresso, souberam que tinham proporcionado um dia maravilhoso. Mas quão especial, só quem o viveu! Chegaram cedo. Ela (a aniversariante) e o seu companheiro.
Arranjaram um lugar junto da fabulosa piscina de águas azuladas e límpidas. Havia sol para ela esombra para ele. A calma, apesar do frufru de toda aquela gente e criançada das várias escolas, tinha-se instalado. Era um ambiente de sonho, de lazer.
Pouco depois, foi a hora do mergulho naquelas águas super limpas e com uma temperatura super agradável. Especialmente para ela, que estava a viver o “seu dia”, foi o máximo. Deu asas ao seu espírito desportivo e mergulhou fundo, nadou, brincou e... calculem, ao fim de todos os anos que já passaram por ela, alinhou numa aventura quase radical...
Subiu o escorrega e com o coração quase nas mãos, qual 1º encontro, incitada pelo seu querido,que adora vê-la alegre, feliz, jovial, lá deixou o seu corpo moreno escorregar até à água. Foi na realidade uma experiência diferente, não de todo desagradável, mas que ela não conta repetir, porque com o passar do  tempo, o espírito aventureiro vai-se diluindo nas ondas da sensatez.
Ali estiveram uma grande parte do dia, comendo o lanchito que levaram acompanhado de uma bebidinha fresca, mergulhando e deixando o sol beijar os seus corpos dourados. A meio da tarde e porque todo aquele recinto não se resume à existência da piscina, arranjaram-se e foram tirar partido de tudo o resto.
Viram os golfinhos, que são a espécie mais comunicativa, afectiva e brincalhona que existe. Como é possível olhar para eles, e apesar de se encontrarem longe do seu habitat, encontrá-los sempre bem-dispostos e sorridentes. Uma lição para o HOMEM! São na realidade uma espécie fabulosa! Durante o espectáculo, aquele nó chato e incomodativo que se agarra à garganta dos mais sensíveis, bem como aquele arrepiozinho, fizeram parte integrante do estado físico dela. Aquilo é realmente muito bonito e mexe com as pessoas... Especialmente porque para os mais atentos, aquele sorriso feliz e infantil que transborda daqueles corpos enormes, mas de movimentos tão delicados, acalmam e fazem pensar.
Viram as focas. Espectáculo triste e pobre. Não por causa delas, lindas e espertas. Mas porque os poucos espectadores, na realidade não eram participativos. O entusiasmo foi menor. Sem palmas, fortes, cheias! Ela sentiu nesse momento que talvez fosse um crime utilizar-se assim os animais. Até aqui as pessoas dão tão pouco!...
Para finalizar o aproveitamento daquele espaço lúdico, foram ver os leões-marinhos. Enormes, luzidios, mariolas, verdadeiros artistas. Um espectáculo vivo! Mas não é tudo. Em determinado momento, um deles, vem para junto da assistência, composta por todos os tipos de pessoas e idades, e seguido de perto pelo seu tratador, percorre uma fila, distribuindo beijos ao acaso, pelos espectadores atentos e ansiosos. Quando passou perto dos amigos de que falo, eles perguntaram-se se algum deles teria a felicidade de ser cumprimentado por aquele artista tão diferente mas tão comunicativo e afável. Naquele menear espevitado, atento e apressado, sim porque ele sabe que há tempos a cumprir, abrandou e deu-lhe um beijo a ele, e quando já ia a passar por ela, olhou, hesitou e virou a cabeça de forma a dar-lhe os PARABÉNS, sim porque ele sentiu o desejo enorme que ela tinha de ser beijada por aquele artista; só pode ter sido isso; e assim, com aquele focinho enorme, lindo, de olhos negros brilhantes e sinceros deu-lhe o beijo mais sentido que ela recebeu alguma vez de “alguém” que não um ser humano. Foi realmente um beijo, apesar de mais parecer uma luva de boxe. Por momentos ela sentiu-se dormente. Mas foi bom aquele cumprimento tão verdadeiro, tão de olhos nos olhos. Ela não vai esquecer aquele dia, aquele beijo! Foi um dia de anos verdadeiramente belo e diferente. Nesse dia, todos de uma maneira geral, gostamos que se lembrem de nós, que nos mimem, que nos desejem o melhor e muitos anos de vida. Foi sem dúvida os parabéns mais especiais que ela recebeu na sua vida. Dados por um ser que dentro de si, apesar de ser diferente de nós, tem uma enorme capacidade de afecto.
Para terminar, foram jantar a um restaurante indiano, que lhes é particularmente agradável. Comeram, beberam, conviveram, namoraram, trocaram olhares, sorrisos e gargalhadas. Há que saber viver os dias um a um, em paz e tranquilidade e tirar os ensinamentos das nossas experiências! Ela sentiu, que apesar de ter passado mais um ano de vida, tinha aproveitado aquele, de forma feliz e descontraída.

Era Verão!
Havia Sol!
Estava Feliz!
Era o dia do seu 49º Aniversário!


ML1998

CONTO DE VERÃO

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