DE TUDO UM POUCO 

MLCB©2011/2021-Maria da Luz Fernandes Barata e Carlos Barata 

Portugal 

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“LÁ FORA É O MAR E ALÉM DO MAR...É O MUNDO”


Desde há muito tempo que esta expressão me fascina. Li-a pela primeira vez quando alguém muito culto e sensível abriu a sua carteira e no local onde usualmente é colocada a fotografia de alguém muito “importante”, estava um cartãozinho com esta frase escrita à máquina, em maiúsculas e bem centrada.
Claro que poderá ter várias interpretações; só depende do estado de alma e sensibilidade de cada um que a ler.
Eu adoro o MAR!
Gosto de o contemplar e de o ouvir. Gosto de passear à sua beira, sentindo na pele a sua água macia repleta de espuma branca como a neve. Gosto simplesmente de olhar o horizonte longínquo e imaginar o que está para lá.
Um destes dias tive a oportunidade de fazer um passeio de barco. Velas enfunadas e aí vamos nós para um passeio de alguns quilómetros junto à costa algarvia.
Não há dúvida que se quisermos, podemos através de parte do nosso conhecimento, imaginar o que se vê estando de fora. Mas ao deslizar nas calmas águas, balançando ao ritmo das ondas, a realidade pode ser outra.
Se nos sentimos partículas ínfimas ao contemplar a vastidão do mar, posso dizer que senti precisamente o mesmo ao contemplar parte do mundo que está para além do mar. É uma visão que emociona pela imponência do que a vista abarca.
São extensões de falésias abruptas que se deixam banhar por este mar ora sereno ora agitado, são praias de areias douradas que se sentem protegidas.
São grutas e grutas formadas nessas falésias ao longo de séculos, provocadas pela dança do amor que o mar lhes tem.
São casinhas construídas no alto dos montes qual farol erguendo-se em noites tenebrosas.
São baías repletas de embarcações coloridas, que aguardam a maré propícia para largarem para a faina.
São praias cheias de risos de crianças que se deleitam nas águas acariciadoras.
São adolescentes que se divertem praticando os seus desportos favoritos ou simplesmente namoram no local que continua a ser o mais romântico de sempre: a praia.
É tanto aquilo que há para ver e sentir, que me deixa atordoada e um pouco nostálgica. Essa viagem de aproximadamente três horas, na proa do veleiro, ora deitada ora sentada, contemplando a costa ou simplesmente as águas perladas pela incidência do sol, esse elemento fundamental à nossa vida e à nossa disposição interior, deixou-me fascinada.
Acho até que consegui abstrair-me de todas as outras pessoas que faziam parte da viagem, tal a intensidade com que a vivi.
Tanta, que gostaria de a fazer novamente.
Tanta, que a frase que me despertou para escrever sobre esta maravilhosa viagem, vai seguir-me até sempre.  Bem como o tal cartãozinho, que faiscou na minha alma e que desde há muitos anos me pertence.


ML/1999